A degradação do rio e da pesca sob a ótica dos pescadores profissional
 

Entrevistas com pescadores
   
  O conjunto de idéias e valores dos pescadores acerca do processo de degradação do rio e da pesca no Alto-Médio São Francisco apresenta-se como um quadro de referência social e ambiental que não deve ser desprezado. Quais são os problemas que o pescador enfrenta? A que se devem esses problemas? Como superá-los? Quais as suas aspirações ? Leia abaixo as respostas dos pescadores profissionais a essas perguntas.
Verdades de quem vive a realidade

 
  "Tem havido agressões por desmatamentos, as lagoas marginais, que são o berçário do rio, não recebem água porque as barragens impedem. As lagoas acabam criando peixe adulto que deixam de sair pro rio e repovoar o rio. Por isso, o peixe vem diminuindo no rio. Os fazendeiros drenam as lagoas para o plantio de arroz e acaba também com elas. As cidades ribeirinhas tão crescendo, os esgotos domésticos descem para o rio. As indústrias também estão jogando a poluição prá dentro da água."

Sr.Norberto, 51 anos, pescador profissional. São Gonçalo do Abaeté/MG

  "Hoje não tá tendo mais peixe. O negócio é o seguinte: o peixe é igual a nós. O senhor, amanhece o dia, o senhor vai pro serviço, vai prá casa almoçar, volta pró serviço e, à noite, volta prá casa. Do mesmo jeitinho é o peixe. Ele mora na pausada. Então, os pescador, cresceram os olhos, limparam a pausada e o peixe desapareceu do lugar da pausada, porque tá tudo limpo, não encontram mais a casa deles. Mas, tem peixe ainda. Sabe onde? Nas pedreiras e nos córregos fundos. Então, se não tem mais peixe no rio São Francisco, é por causa da usura do pescador."
Sr. Benedito, 97 anos, pescador profissional. Município de Januária/MG

  "Eu admiro demais o pescador amador que vem fugir da cidade grande se distrai. Antes a pessoa não queria sair da cidade, dizendo que aqui, no mato, tinha febre amarela, tinha mosquito, tinha onça. Hoje a cidade virou um verdadeiro inferno. Chega aqui, ele não consegue pegar o peixe, vê o profissional, que é um coitado, conseguindo, que quer vender prá ele. Então, ele fica contra a pesca profissional. Mas tem que ver que é para a sobrevivência dele. Ele não pode impor que o profissional tem que parar porque o profissional não tem outra forma de viver."
Sr.Norberto, 51 anos, pescador profissional. São Gonçalo do Abaeté/MG

  "Há 30 anos atrás o rio era bom, não tinha barragem. Aí, as barragens de Sobradinho e Três Marias cortaram o rio e aí ficou difícil para a sobrevivência do peixe. Também, tem havido falta de chuva, o desmatamento, que ficam difícil pro peixe, que só aparece um pouco no tempo.

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Revisado em: 28 Mar 2006 .